Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

21 de Setembro – Dia Internacional de Luta contra as Monoculturas de Árvores

Compartilhamos a Declaração da Rede Latino-Americana contra os Monocultivos de Árvores e o vídeo da conversa online realizada no dia 21 de setembro.

Declaração:
Dia Internacional de Luta contra os Monocultivos de Árvores
21 de setembro de 2020

Este 21 de setembro não é só mais um. Ele chega em meio à crise da Covid-19 em todo o mundo, uma pandemia que nos obriga a refletir sobre os dramáticos impactos que a perda da biodiversidade e os danos ao funcionamento dos ecossistemas estão causando ao planeta e às sociedades que fazem parte dele.

Há pleno reconhecimento global de que as pandemias que vivemos são fruto da da agressão contra a natureza. Não só a Covid-19, ligada ao tráfico de espécies e à destruição de áreas naturais, mas também a Dengue, que, no calor das mudanças climáticas, está se expandindo por toda a Nossa América.

No entanto, o confinamento de metade da humanidade, a perda de empregos, as dramáticas experiências de falência dos sistemas de saúde e o custo em vidas, mesmo em cidades e países ricos, não estão sendo suficientes para deter as corporações extrativistas ou mudar seu modelo de lucratividade. Os líderes mundiais continuam depositando suas esperanças de um renascimento econômico pós-pandemia nos mesmos modelos econômicos que nos levaram a essas crises da Covid, do clima e da biodiversidade.

Nesse contexto, as empresas do setor das monoculturas são uma parte substancial do problema. Centenas de milhares de hectares de pântanos, florestas, selvas, savanas e pastagens se transformaram em monoculturas de árvores, e sejam elas dendezeiros, pinus, eucaliptos, cítricos, álamos, abacateiros ou outros, o modelo é o mesmo. As monoculturas destroem a diversidade de habitats e os nichos ecológicos existentes nos ecossistemas naturais, e afetam os serviços ecossistêmicos, modificando as condições higrologicas, a disponibilidade de água, a oferta de polinização e as características incomensuráveis contidas em diversos ambientes, incluindo as pessoas que vivem neles.

A expropriação de comunidades locais, povos indígenas, camponeses, afrodescendentes e outras comunidades tradicionais é uma constante que não foi interrompida em tempos de pandemia – inclusive piorou. A destruição ambiental não foi confinada, o que colocou as pessoas que vivem em florestas e áreas naturais em enorme risco para sua saúde. Em quase todos os países, a situação das e dos defensorxs ambientais piorou, com a perda de liberdades civis mínimas relacionadas ao direito de reunião e manifestação. Os assassinatos continuaram durante a quarentena em Honduras e na Colômbia.

Por isso, neste dia de luta contra as Monoculturas de Árvores, voltamos a nos manifestar e reafirmar que as plantações industriais fazem parte do problema e, da a magnitude da crise global, não podemos permitir que falsas soluções continuem sendo discutidas. As monoculturas de árvores devem ficar fora das discussões sobre sequestro de carbono para reduzir a crise climática, sobre restauração de ambientes e sobre desenvolvimento sustentável. Com monoculturas de árvores, não teremos biodiversidade nem ecossistemas saudáveis, e ninguém terá saúde em ecossistemas doentes, sem biodiversidade.

BASTA DE MONOCULTURAS INDUSTRIAIS DE ÁRVORES!
BASTA DE SOLUÇÕES FALSAS!
NINGUÉM TERÁ SAÚDE EM ECOSSISTEMAS DOENTES!

Rede Latino-Americana contra os Monocultivos de Árvores – RECOMA

>>> Acesse aqui o vídeo da conversa online sobre as lutas contra as monoculturas de árvores na América Latina, realizada em 21 de setembro de 2020.