Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

Gabão: os Parques Nacionais podem salvar as florestas?

Os Parques Nacionais não estão desempenhando um papel chave no desenvolvimento econômico dos países da África Central. Porém, são considerados a pedra angular dos esforços mundiais para a conservação. Assim, o presidente do Gabão, El Hadj Omar Bongo Odimba, anunciou a criação de treze Parques Nacionais na Cúpula da Terra, realizada em 2002 em Joanesburgo, África do Sul.

Encorajado por famosas ONGs internacionais, Bongo Odimba promulgou a criação desses parques em 2003. Alguns deles foram escolhidos como paisagens de máxima prioridade na estrutura da Sociedade pelas Florestas da Bacia do Congo, uma iniciativa internacional que visa a deter a perda da biodiversidade e a funcionalidade dos ecossistemas da Bacia do Congo para beneficiar os povos da África Central e a comunidade mundial.

Esses fatores, unidos à enfase colocada no ecoturismo e o esplendor dos recursos naturais e culturais da África Central, indicam que a África Central está trabalhando para conservar sua biodiversidade e aumentar os benefícios econômicos de seus parques.

No entanto, a realidade está demonstrando que essa perspectiva tem sido otimista demais e que a possibilidade de mundanças nos compromissos políticos têm sido subestimados. Hoje em dia, essa realidade atingiu aqueles que propõem acelerar a criação de Parques Nacionais na África Central.

Notícias provindas do Gabão indicam que grandes áreas do Parque Nacional Ivindo estão sendo desmatadas pela SEEF (Société Equatoriale d’Exploitation Forestière), enquanto a SOUTHERNERA (South African Company) e uma companhia chinesa foram autorizadas a realizar sondagens petroleiras no Parque Nacional Loango e no Parque Nacional Mount Cristal respectivamente (Ona, Environnement-Gabon, setembro 2004).

Obviamente, a partir disso as ONGs lançaram uma campanha alertando sobre a destruição dos Parques Nacionais (Ona, Environnement- Gabon). Se bem que esta resposta pudesse ser uma reação imediata razoável das ONGs não é suficiente porque menospreza os incentivos existentes no país para atrair atores (governos estrangeiros, instituições financeiras, empresas ou ONGs) que poderiam movimentar recursos financeiros e responder a interesses econômicos governamentais e particulares.

Desse modo, os Parques Nacionais que estão rivalizando com interesses financeiros, deveriam ter argumentos mais fortes que o fato de serem “Parques para os povos da África Central e a comunidade mundial”. Na África Central (tanto quanto na África inteira) a criação de um parque exige também uma perspectiva muito mais ampla que a de ser “biologia da conservação”. Caso contrário, de uma forma sutil mas efetiva, os Parques Nacionais estarão voltados para a utilização de seus recursos.

Tudo o que foi acima mencionado coloca questões antigas mas fundamentais relacionadas com a conservação da biodiversidade na África Central, em especial devido a que Bongo Odimba criou Parques Nacionais com a ajuda das maiores organizações conservacionistas internacionais do mundo. A pergunta é: essas organizaçoes realizaram uma avialação consciente das áreas e das dificuldades antes de alentarem Bongo Odimba a criar os Parques Nacionais?

Devido a atividades de desmatamento e sondagem de petróleo- que por sua vez podem resultar na exploração petroleira , em que consistiria exatamente a conservação nas áreas em questão? Em termos das necessidades sociais (por exemplo, lugares de trabalho e crescimento econômico), o que os Parques Nacionais recentemente criados deveriam oferecer ao povo do Gabão? Para quem esses parques têm utilidade?

Por: Assitou Ndinga, e-mail: ndinga_assitou@yahoo.fr