Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

Nigéria: seja legal ou ilegal, o corte comercial na floresta do Estado de Cross River deve ser proibido

Apesar de que resta apenas dez por cento das florestas que existiam na Nigéria há duas décadas, elas ainda fornecem um hábitat incrivelmente rico e diverso. Das montanhas tropicais às florestas tropicais das planícies, das pradarias do planalto à savana, dos pântanos aos mangues.

As florestas do Estado de Cross River no sueste da Nigéria são as últimas florestas tropicais na Nigéria e albergam 2.400 comunidades nativas da floresta, o que implica 1,5 milhões de pessoas, a maior diversidade de primatas no planeta –incluindo os gorilas mais ameaçados de extinção no mundo- e aproximadamente 20 por cento das espécies de borboletas do mundo.

Para as companhias madeireiras globais, as florestas da Nigéria parecem ser um objetivo fácil. As regulamentações ambientais no país são aplicadas raras vezes e muitos funcionários da recentemente expulsa ditadura de Abacha eram notoriamente corruptos –mais interessados na vantagem pessoal que na proteção dos recursos naturais da Nigéria.

A Western Metal Products Company (WEMPCO), companhia sediada em Hong Kong, é uma das companhias mais destruidoras que operam na região (vide também http://www.wrm.org.uy/countries/Nigeria/Odey.html ). Apesar de que possuem os direitos de corte em algumas áreas do Estado de Cross River, a WEMPCO ostenta as regulamentações e corta ilegalmente na zona de amortecimento da floresta que rodeia o Parque Nacional Cross River, não apenas ameaçando com dizimar as magníficas madeiras duras da floresta, mas também colocando em risco os meios de vida das comunidades da floresta do Estado de Cross River.

O corte tem reduzido significativamente o hábitat animal, diminuindo as populações de animais que servem como uma fonte natural de proteína no Estado de Cross River. A carne dos animais da floresta que foi abundante antigamente é escassa agora. O devastação das árvores que fornecem abrigo tem deixado áreas inteiras sem quebra-ventos ou suficientes árvores para parar os devastadores temporais. Portanto, os tetos das casas são arrancados freqüentemente pela menor tormenta.

Desde 1996, grupos ambientais e de direitos humanos de todo o mundo têm estado realizando campanhas contra as atividades destruidoras de corte da WEMPCO que tem operado no Estado de Cross River desde 1992, cortando ilegalmente e exportando os recursos das florestas do estado, incitando e infligindo a violência e ameaçando àqueles que tem talado contra suas atividades. Antes de realizar negócios no Estado de Cross River, a WEMPCO tinha sido expulsa do estado nigeriano de Ogun pelas mesmas violações às políticas e leis de manejo da floresta.

Na realidade, as ameaças à floresta tropical continuam. O governo da Nigéria autorizou em 2003 a operação da fábrica de processamento de madeira da WEMPCO e aprovou uma nova concessão de 540 milhas quadradas localizada rio acima de muitas comunidades da floresta e o parque nacional. As concessões de corte devastarão a floresta remanescente nas zonas de amortecimento que rodeiam o parque nacional. O apetite voraz da fábrica tem a capacidade de processar o dobro do montante de madeira legalmente estabelecido pelas concessões, enviando à companhia a procurar mais madeira no vizinho Camarões. Os subprodutos da fábrica de processamento de madeira da WEMPCO ameaçam poluir as fontes de água de dois milhões de membros de tribos e ameaçam o hábitat do gorila em perigo de extinção e muitas outras espécies raras de primatas.

Agora, a ONG Coalition for the Environment (Coalizão para o Meio Ambiente) e seus membros, incluindo o Sr. Odigha Odigha, que obteve o Prêmio Goldman em 2003, o Sr. Odey Oyama do Rainforest Resource Development Centre (Centro de Desenvolvimento dos Recursos das Florestas Tropicais) e o Sr. Oronto Douglas da Environmental Rights Action (Ação de Direitos Ambientais), que tem objetado as atividades de corte da WEMPCO têm algo para celebrar. O Governador do Estado de Cross River, o Sr. Donal Duke, tem aprovado recentemente o fechamento da fábrica de processamento de madeira da WEMPCO e a cessação imediata das atividades relacionadas com a floresta da companhia, devido ao que descreveu como atividades insalubres contrárias ao acordo atingido com a companhia.

No entanto, a grande ameaça de um comércio global de madeira insustentável impregna toda a atividade madeireira, seja legal ou ilegal. É por isso que a West Africa Rainforest Network (Rede de Florestas Tropicais da África Oeste) continua pressionando para que seja proibido todo corte comercial nos próximos 12 meses.

Artigo baseado em informação de: “West Africa Rainforest Network”, http://www.earthisland.org/warn/ ; “Odigha Odigha”, http://www.goldmanprize.org/recipients/recipientProfile.cfm?recipientID=124