Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

Questões de gênero e mudança climática

Pela primeira vez na história da Convenção sobre Mudança Climática das Nações Unidas, uma coalizão mundial de mulheres esboçou manifestos sob as perspectivas das mulheres e do gênero a respeito das problemáticas mais apremiantes negociadas na Convenção que ocorreu em Bali, Indonésia, de 3 a 14 de dezembro. Gênero e Mudança Climática (gender cc)- uma aliança mundial de mulheres pela justiça climática- apresentou seus manifestos em uma coletiva de imprensa durante a Convenção e distribuiu centenas de cópias aos delegados dos governos.

Uma das questões chave afirmada nesses documentos é que “As mulheres são as mais atingidas pela mudança climática, mas também são elas as catalisadoras fundamentais para uma mudança positiva. O conhecimento e a experiência delas é crucial para uma mitigação bem- sucedida da mudança climática, bem como para a adaptação à mudança climática”.

Elas exigiram “um regime climático desenhado em um contexto de igualdade de gênero e de diretrizes de sustentabilidade, em vez de ser impulsionado pelos fatores econômicos dominantes. Para mitigar a mudança climática, as causas de base devem ser abordadas com maior aprofundamento”.

Também exigiram o “reconhecimento da contribuição das mulheres para a conservação das florestas. As mulheres deveriam ser incluídas em todos os mecanismos de proteção florestal, medidas e programas de compensação. O comércio de carbono, os enormes projetos hídricos e a expansão dos agrocombustíveis não são a solução para a mudança climática; só incrementam o desmatamento”.

Ulrike Roehr, coordenadora em funções da rede gender cc afirmou: “Precisamos questionar a perspectiva dominante que focaliza principalmente as tecnologias e os mercados e introduzir a solidariedade e a justiça no centro das medidas e mecanismos.” Roehr enfatizou que “A falta de perspectivas de gênero no atual processo climático não apenas viola os direitos humanos das mulheres- princípio fundamental acordado pela comunidade das Nações Unidas- como também acarreta falhas na eficiência e eficácia das medidas e instrumentos relacionados com o clima.”

No último dia da Conferência, a rede gender cc apresentou um vigoroso Comunicado ao Plenário ao afirmar: “Exortamos a vocês, nossos governos, que garantam o corte drástico das emissões em sua origem. Vocês têm o poder para fazê-lo aqui e agora. As pessoas ameaçadas pela mudança climática não podem esperar.”

Ao mesmo tempo, em uma declaração conjunta com MADRE (vide http://www.wrm.org.uy/actors/CCC/Bali/Women_Agrofuels.pdf), ambas organizações rejeitaram os agrocombustíveis como um meio válido de reduzir as emissões de carbono, e exortaram a todos os países e partes interesadas que, entre outras coisas, apelassem ao Relator Especial das Nações Unidas sobre o Direito aos Alimentos, Jean Ziegler, por uma moratória no desenvolvimento dos agrocombustíveis, que vem ocupando, cada vez mais, as terras agrícolas e assim agrava a fome no mundo.

Para maiores informações sobre a rede gender cc entrar em contato com: Ulrike Roehr, gender cc -women for climate justice, roehr@life-online.de, www.gendercc.net