Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

República Democrática do Congo: Pigmeus Efe despojados de sua terra e seus meios de vida

No nordeste da República Democrática do Congo, encontra-se a grande, densa e montanhosa floresta tropical de Ituri, que abrange aproximadamente 70.000 quilômetros quadrados. É uma área rica em recursos naturais. A madeira tropical é colhida (legalmente e ilegalmente) em grande escala. Os minerais como o ouro e o coltan (utilizado em telefones celulares) são explorados intensamente depois de que as árvores têm sido cortadas.

A floresta de Ituri alberga uma das mais antigas populações da África: os Efe, também conhecidos como Pigmeus Mbuti. O hábitat dos Efe originalmente abrangia uma porção mais ampla da África mas agora estão confinados à floresta de Ituri já que têm sido repelidos pelo inédito influxo de imigrantes causado pela guerra civil na RDC e as crises políticas na vizinha Ruanda. Os acampamentos de refugiados com dezenas de milhares de pessoas deslocadas são comuns no leste da floresta de Ituri, ao longo da estrada Beni-Komanda-Bunia.

No começo da década de 90, as companhias madeireiras comerciais malaias e européias vieram para a região, causando surtos devastadores de malária, dedicando-se à caça furtiva que fazia com que houvesse pouca caça e introduzindo dinheiro, tabaco e maconha, todo o que deixou os Efe doentes, famintos e desalentados.

Os Efe são caçadores coletores e vivem da apanha limitada de caça menor já que a caça maior como o búfalo e o elefante tem sido proibida há muito tempo. Caçam com faísca e seta (às vezes com veneno) e redes de caça. As famílias Efe vivem em cabanas abobadadas feitas com folhas. Sua cultura está muito conectada com sua música ‘polifônica” e a dança, na que todos participam. Além de suas vozes usam instrumentos musicais como por exemplo: tambores, flautas, sinetas para os pés, trombetas (molimo), arcos de boca, pianos de polegar, etc. Suas roupas tradicionais originais (mulumba) pintadas com bonitos desenhos abstratos ainda são criadas e usadas às vezes, mas as roupas ocidentais estão crescentemente deslocando essa tradição.

Depois da colonização belga, a densa floresta tropical era quase impenetrável pela ausência de boas estradas. Grandes buracos de lama bloqueavam todas as ocasiões de transporte. Ficar preso na lama estava garantido. Essa situação de impenetrabilidade manteve o hábitat dos Efe intato.

Durante a última década, sua forma de vida tradicional tem sido muito perturbada já que a atividade florestal comercial está cortando mais e mais profundamente na decrescente floresta tropical, restringindo e reduzindo o abastecimento de alimento para os Pigmeus Efe. Desde a metade do ano de 2006, a reabilitação e reconstrução de estradas tem permitido aos empreiteiros madeireiros ingressar mais facilmente na floresta…o que equivale à destruição do hábitat natural do Povo Pigmeu Efe.

Com sua terra e meios de vida devastados pela guerra e pelas grandes corporações em busca de negócios, os Efe estão presos em um beco sem saída que deixa suas vidas sob assédio.

Na nova estrada Komanda – Beni, perto de Idohu, é possível ver Pigmeus Efe carregando tábuas entre duas pessoas, em suas cabeças, com um peso de aproximadamente 70 a 80 kg de madeira fresca e úmida. Eles recebem em pagamento USD 5 por tábua e por equipe, por 7 km de transporte. Uma equipe pode fazer isso uma vez ao dia. O pagamento é feito diretamente depois da recepção da madeira transportada. Alguns povoadores usam suas bicicletas para o transporte. Algumas vezes um único povoador carrega essa carga sozinho, com seu arco e setas inúteis em sua mão esquerda…a caça é impossível: o ruído das serras fez com que a caça desaparecesse.

Essa atividade comercial está fechando o círculo econômico: trabalho de transporte pesado – pagamento miserável – compra de alimentos – não resta dinheiro – no dia seguinte a mesma coisa: nenhum lucro e a floresta está desaparecendo. Como o velho e sábio Efe Moke disse uma vez: “Vocês vão entender por que somos chamados de Povo da Floresta…Quando a floresta morrer, nós vamos morrer também.”

Artigo baseado em: “Pygmies”, Foundation Pygmy Kleinood, http://www.pygmee.nl/pygmy_algemeen.html, “Ituri Forest”, Foundation Pygmy Kleinood, http://www.pygmee.nl/pygmy_projecten.html; “Increase of Forest Cutting speed in Eastern Ituri Forest, DRCongo”, Foundation Pygmy Kleinood, info@pygmee.nl, www.pygmee.nl