Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

Brasil: um desastre ecológico e social nas mãos da mineração – até quando?

PeA_brasil_mineria - copiaNo último dia 5 de novembro, ocorreu um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil, quando se romperam duas barragens da mineradora Samarco, no estado de Minas Gerais. A lama turfa de rejeitos tóxicos da mineração invadiu um distrito onde viviam centenas de famílias, destruindo as casas, matando dezenas de pessoas e acabando com a vida de um dos principais rios do Brasil, o Rio Doce. Isso afetou o abastecimento de água de centenas de milhares de pessoas, a agricultura e os meios de sustento de milhares de agricultores e pescadores, contaminou manguezais e acabou com o turismo da região. As comunidades afetadas, junto com movimentos sociais, ambientalistas, estudantes e outros, vêm se mobilizando nas últimas semanas para exigir justiça, por exemplo, que os donos da empresa em questão – uma subsidiária da Vale e da BHP Billiton – sejam responsabilizados pelos danos. Além disso, o desastre precisa levar o Brasil e o mundo a uma reflexão profunda, por exemplo, sobre a necessidade urgente de reverter as políticas neoliberais de enxugamento do Estado, um processo forçado por organismos multilaterais e pelos países das principais corporações, inclusive as da mineração. Políticas favoráveis ao livre mercado e aos interesses das empresas resultaram em uma flexibilização da legislação ambiental e em legislações sobre mineração para facilitar a prática. Com a falta de seriedade por parte do Estado no processo de licenciamento e na fiscalização, fragilizado ainda mais com o financiamento das campanhas eleitorais pelas empresas de mineração, o Brasil e o mundo estão entregues ao voluntarismo das grandes empresas, cujo discurso de “melhores práticas” se contrapõe a uma realidade que leva a tragédias como essa.

Veja, aqui, a carta da articulação internacional dos Atingidos pela Vale, em espanhol e inglês:
https://atingidospelavale.wordpress.com/
e um relato do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) sobre os impactos já sentidos pelas mulheres:
http://www.mabnacional.org.br/noticia/lama-da-samarco-valebhp-atinge-vida-das-mulheres