Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

Espanha: certificação FSC para a NORFOR ou a continuação de uma fraude

No passado 9 de abril, a organização galega APDR (Asociación pola defensa da Ría) fez uma declaração oficial quanto à certificação do FSC à NORFOR- filial da empresa espanhola de papel e celulose ENCE, que tinha sido certificada em abril de 2005.

Na declaração, a APDR denuncia: “Na Galiza, viemos sofrendo há muitos anos as conseqüências da nefasta influência da ENCE sobre nosso ambiente natural e nossa economia. A APDR faz referência à monocultura e à comercialização de madeira de eucalipto para a fabricação de pasta de papel, o que “tem acarretado o empobrecimento e abandono das comunidades rurais e o abandono das terras florestais”. O comunicado enumera outros impactos das plantações industriais de madeira, tais como o “alto risco de incêndios”, “erosão intensa de terras”, “perda de diversidade biológica e destruição de recursos” e a poluição de “córregos e aqüíferos subterrâneos” decorrentes do uso de “grandes volumes de pesticidas”, bem como a “perda de qualidade da paisagem nas áreas ocupadas para tais atividades”.

Apesar disso tudo, a empresa obteve o certificado do FSC através da certificadora SGS (Societé Générale de Surveillance) – empresa suiça de fiscalização, verificação, testagem e certificação que, em 1997, teve suas atividades de certificação suspensas pelo FSC durante seis meses devido à controvérsia originada pela certificação das operações de corte realizadas pela companhia madeireira Leroy nas florestas do Gabão.

Logo no início, a APDR denuncia o problema à delegação do FSC na Espanha, com a elaboração um relatório detalhado de 85 páginas (http://www.apdr.info/norfor/norbarpr.htm). No ano passado, um grupo formado pela APDR e organizações de sete países solicita que, “em conformidade com o objetivo do FSC de ‘promover o manejo ambientalmente apropriado, socialmente benéfico e economicamente viável das florestas do mundo’, a certificação da NORFOR seja cancelada imediatamente” ( vide http://www.wrm.org.uy/actors/FSC/Campaign_De_Certification/Spain.html).

Na declaração, a APDR afirma que o recente relatório publicado no dia 5 de fevereiro de 2007 pela SGS a respeito da segunda auditoria de avaliação da certificação conforme os padrões do FSC da empresa madeireira NORFOR “está repleto de falsidades, manipula a informação, distorce os fatos e encobre a realidade. Mas agora o problema não é a intenção de trapaça que a companhia teve desde o início do processo de certificação. O problema é que o FSC, completamente ciente da fraude, decidiu continuar com a certificação apesar da evidência cada vez mais esmagadora do descumprimento dos padrões; assim, o FSC dá mais um passo atrás ao afastar-se dos objetivos para os que foi criado.”

No comunicado também expressa: “Na Galiza, o pior sistema de gestão, que favorece a erosão, a perda da biodiversidade e a desaparição dos recursos e usos florestais, tem a certificação do FSC. Depois de mais de dois anos de o certificado ter sido outorgado, o sistema de gestão florestal da NORFOR não tem sido modificado e a manutenção do certificado está baseada no engano e encobrimento da realidade por parte do órgão certificador- a SGS, e na cumpricidade do FSC, que, quase dois anos depois de a APDR ter apresentado uma reclamação formal que evidencia claramente o descumprimento dos padrões, continua fazendo questão de manter o certificado custe o que custar. Com a certificação da NORFOR, o FSC revela que seu principal objetivo é mesmo proteger um negócio próspero em vez de ‘garantir a autenticidade de suas certificações’ e ‘promover um sistema de manejo florestal responsável, benéfico para a sociedade e viável economicamente’”.

A APDR alerta que o certificado é “um documento que possibilita o acesso das empresas a importantes subsídios públicos concedidos por organismos internacionais e estatais e permite que a empresa melhore sua posição em um mercado em que a certificação supõe-se um valor e um prestígio que, à medida que as certificações fraudulentas proliferam, está se perdendo. É apenas o valor econômico dos benefícios que as empresas florestais obtêm ao obterem a certificação, o que faz que as empresas a busquem e o FSC a mantenha a qualquer custo, sem levar em consideração o descumprimento dos padrões.”

Está na hora de as pessoas ficarem cientes que “o fato de possuir uma certificação não significa necessariamente que a gestão florestal seja responsável, benéfica para a sociedade e economicamente viável.”

Artigo baseado em “Official Statement of APDR (Asociación Pola Defensa Da Ría) Regarding the FSC Certification of NORFOR”, http://www.wrm.org.uy/countries/Spain/APDR.pdf, 9 de abril de 2007, enviado pela APDR, e-mail: apdr@apdr.info, www.apdr.info