Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

Lucro e demissões na FIBIRA Celulose

 

Por Vitor Wagner Neto de Oliveira
(Prof. Dr. de História na UFMS/CPTL)
vitorwagnern@yahoo.com.br

Enquanto a crise econômica assola o bolso do trabalhador – e leva o governo a cortar gastos com Saúde e Educação –, ao menos dois setores do capital vivem bonança: os bancos, que sempre lucram muito (na crise ganham ainda mais), e as empresas de eucalipto-celulose que atendem especialmente ao mercado externo.

A FIBRIA Eucalipto-Celulose, empresa que se instalou em Três Lagoas-MS em 2008, atraída pela isenção de impostos do Estado e do Município, e com investimento estatal do BNDES (seu parceiro no negócio e financiador a juros bem abaixo do mercado das pessoas comuns), tem revelado lucros crescentes a cada semestre.

Recentemente anunciou ampliação da planta industrial com a construção de mais uma unidade. E novamente a espera de gordos investimentos do BNDES e isenção fiscal.

Olhando este crescimento, como entender as demissões de operários? Somente na última semana foram cerca de 16 demissões!

O lucro da empresa é resultado da soma de diversos fatores, como: empréstimos subsidiados, isenção fiscal, inserção no mercado externo e, principalmente, eficiência na produção. Este último elemento é garantido pelo trabalho de operários que recebem os menores salários da categoria,  quando comparado aos salários pagos a trabalhadores em outros estados.

Certamente, este é um fator determinante para atrair empresas para Três Lagoas. Em vista da falta de uma tradição sindical combativa, a Empresa tem garantido os lucros crescentes com base nas longas jornadas de trabalho com baixos salários. Qualquer ameaça a este “pacto local de exploração” põe em risco a espiral de acumulação do capital. Portanto, é no mínimo intrigante que demissões ocorram quando os operários  tentam organizar um sindicato para defender os interesses da categoria. Dito de forma mais clara, a empresa demite neste cenário de reorganização sindical sem constrangimento e sem medo de punição!

Para tanto, estaria o Império do eucalipto-celulose contando com a complacência do executivo e legislativo que não impõe regras para conceder isenção fiscal (como condições de salário e de trabalho)?

Estaria contando ainda com a inoperância do judiciário local que não fiscaliza e nem pune? Será que a empresa que recebe “prêmios” por seu desempenho no “desenvolvimento sustentável”, da organização não-governamental Rainforest Alliance, se sensibiliza com os pais de família, desempregados nesse cenário de crises?

Desenvolvimento sustentável para os lucros do capital privado, não para os trabalhadores! As perguntas não passarão!