Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

Plantações de monoculturas e o ´comércio por serviços ambientais´

As empresas que promovem as plantações de monoculturas de árvores para celulose, carvão, madeira e outros fins, têm buscado mostrar, na onda de crescimento do ´PSA´, que suas plantações também prestam ´serviços ambientais´.

Alguém que anda por uma monocultura de eucalipto pergunta-se qual seria esse ´serviço´ numa área com apenas esse tipo de plantação, sem outras plantas, sem animais e alvo de um manejo agrícola convencional com aplicação de agrotóxicos e fertilizantes químicos?

No entanto, as empresas têm conseguido, com sucesso, vender a ideia de que suas plantações absorvem carbono. Um exemplo é a empresa Plantar, de Minas Gerais, Brasil, que em 2010 teve seu projeto de carbono, baseado em plantações de monoculturas de eucalipto, reconhecido oficialmente como projeto MDL no marco do Protocolo de Kyoto, apesar de inúmeras críticas (32). Outras empresas brasileiras de eucalipto têm ´comercializado carbono´ pelo mercado voluntário na bolsa do clima. Chicago (CCX), a holandesa FACE foundation, tem plantado árvores no Equador para conseguir ´vender carbono´, causando problemas para as comunidades locais e o ambiente local (33). Há empresas europeias que são ativas também na África com a ´venda de carbono´, como a norueguesa Green Resources, que promove plantações de carbono, por exemplo na Tanzânia, causando problemas sociais, ambientais e econômicos (34).

Enquanto isso, as empresas e seus aliados buscam levantar evidências de que as plantações oferecem também outros ´serviços ambientais´, contando com uma grande vantagem: a FAO continua usando uma definição de floresta que considera monoculturas de árvores simplesmente ´florestas´. A partir dessa vantagem, estudos têm sido feitos para mostrar que plantações de monoculturas de árvores, se forem ‘bem desenhadas´, poderiam, além do carbono, fornecer outros ´serviços ambientais´ como água limpa, um habitat para animais e lenha para gerar energia. Busca-se desenvolver formas para também precificar esses ´serviços´ de plantações (35).

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32 – http:// www.wrm.org.uy/countries/Brazil/LetterPlantarCDM.pdf

33 – See publication “carbon sink plantations in the Ecuadorian Andes”, www.wrm.org.uy

34 – Karumbidza, Blessing and Wally Menne, “CDM carbon sink plantations in Africa: a case study in Tanzania”, Timberwatch, 2010

35 – Bauhus, Jürgen, et al. Ecosystem Goods and Services from Plantation Forests. CIFOR, 2010