Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

Uganda: companhia açucareira planeja destruir a floresta de Mabira

Uma companhia açucareira ugandense planeja expandir suas propriedades açucareiras, destruindo 7.000 hectares ou quase um terço da floresta de Mabira, uma das poucas florestas intactas remanescentes que rodeiam as margens do Lago Victoria, que alberga espécies únicas de macacos e pássaros.

O plano tem resultado muito controvertível por ameaçar centenas de espécies únicas confinadas a lotes decrescentes de floresta tropical e pode afetar as chuvas em uma região que já sofre de seca relacionada com a mudança climática.

O presidente Yoweri Museveni ordenou uma avaliação em agosto da viabilidade de entregar um quarto da reserva florestal protegida de Mabira à companhia privada Sugar Corporation of Uganda (Scoul), uma das maiores companhias açucareiras de Uganda, para que seja cortada com o fim de ampliar sua vizinha plantação de açúcar. De acordo com uma cita de Museveni na imprensa local, a indústria deve ter a prioridade. “É mais fácil plantar florestas do que construir indústrias”, disse ele para New Vision, que é administrada pelo Estado. “Se a gente tem fábricas, é possível obter os fundos para conservar o meio ambiente.” (!)

A ação escandalizou os parlamentares, os residentes de Mabira e os funcionários da Autoridade Florestal Nacional (NFA), que dizem que o custo ambiental de destruir um dos últimos lotes remanescentes de floresta natural da Uganda seria incalculável. Mas o governo diz que os empregos extra ultrapassarão as perdas causadas pela remoção da floresta.

“Vocês não podem cortar a floresta. Perderíamos nossas vidas” disse John Kasule, de 50 anos, que mora fora da reserva. “A floresta traz chuva, colhemos lenha daí, a usamos para construir casas e fazer cordas. Há 40 tipos de medicinas que perderíamos” disse ele, apontando para uma espessa maranha verde de árvores e densas trepadeiras que se estendiam na distância.

A floresta absorve a poluição em uma área industrial, sumindo milhões de toneladas de dióxido de carbono e ajuda a manter o clima úmido de Uganda central –removê-la traria clima seco, afetando a produção dos cultivos, disse um relatório da NFA. “Mabira é um manancial para dois rios que são afluentes do Nilo, um estabilizador ecológico entre duas grandes cidades industriais e protege o Lago Victoria” disse o porta-voz da NFA Gaster Kiyingi.

“Em vez de ser negativos … necessitamos plantar mais árvores” disse a Ministra do Meio Ambiente Maria Mutagmba. Mas outros discordam. “Por quantos anos têm os silvicultores estado fazendo pesquisas sobre como regenerar a floresta tropical? Não sabemos por onde começar” disse Jacovelli. “Uma floresta tropical com centenas de espécies é impossível de replantar. Depois de destruída, já não há volta atrás.”

Artigo baseado em: “EU Scheme Cuts Uganda Sugar Funding in Forest Row”, 16 de novembro de 2006, e “Plan To Axe Ugandan Forest For Sugar Sparks Anger”, 29 de novembro de 2006, por Tim Cocks, Reuters News Service, enviado por Andrew Boswell, a_boswell_2004@yahoo.co.uk