Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

Diretores de Tullett Brown, Foxstone Carr, Carvier Limited proibidos de ser diretores por 14 anos

tulletbrownPor Chris Lang.

Em junho de 2012, o REDD-Monitor escreveu sobre uma empresa chamada Carvier Limited, que estava oferecendo 3 milhões de “Unidades de Crédito de Sustentabilidade” de uma área florestal no Brasil. A Carvier Limited era um esquema fraudulento.

A Carvier Limited fazia parte de um esquema com bancos de terras e créditos de carbono, operada por três irmãos: Barinua Carr Nwikpo, John Ekpobari Nwikpo e Daniel Nwikpo. Um quarto homem, Peter Bradley Ferry, também estava envolvido.

Uma série de empresas fraudulentas

As autoridades têm conhecimento do esquema fraudulento de Nwikpo/Ferry há vários anos. Em março de 2012, quatro empresas que faziam parte do esquema (Tamar Ltd, Johnnystone Limited, Brad Baker Limited e Tullett Brown) tiveram sua liquidação decretada.

A Tullett Brown vendeu terras e créditos de carbono como investimentos. Entre junho de 2009 e julho de 2011, a empresa enganou 106 vítimas em um total de pouco mais de 2 milhões de libras esterlinas para investimentos em terras. A Tullett Brown pagou 218.000 libras pela terra.

Após a visita de investigadores do Secretário de Estado em 2011, a Tullet Brown passou ao próximo golpe, que acabou por ser ainda mais lucrativo. Entre maio de 2011 e março de 2012, a empresa enganou cerca de 400 vítimas em 3,2 milhões de libras, vendendo-lhes um total de 500.000 créditos de carbono.

A Tullett Brown comprou os créditos de carbono da Eco-Synergies Ltd. por 600.000 libras. A Eco-Synergies chegou a pagar a bagatela de 37 pence, e uma média de 65 pence, por crédito de carbono. A Tullett Brown os vendeu a suas vítimas por 6,90 libras cada.

Após a Tullett Brown ser fechada, o esquema continuou, em nome de outra empresa. Entre novembro de 2011 e maio de 2012, a Foxstone Carr vendeu 98.500 créditos de carbono por um total de 523.900 libras. Os créditos de carbono também foram fornecidos pela Eco-Synergies.

A Foxstone Carr foi fechada em novembro de 2012.

A Carvier Limited foi fechada em maio de 2013, após uma investigação por parte do Serviço de Insolvências do Reino Unido.

Em maio de 2014, a Eco-Synergies e 12 outras empresas foram fechadas pelo Tribunal Superior, após uma investigação feita pelo Serviço de Insolvências. Em um comunicado à imprensa, Chris Mayhew, Supervisor de Investigações Empresariais do Serviço, disse:

A Eco-Synergies Ltd. era o centro e controlava a rede de empresas desse esquema visivelmente nefasto para vender créditos de carbono ao público, como investimento.

Em julho de 2014, mais duas empresas ligadas aos esquemas de Nwikpo/Ferry foram fechadas. A Pine Commodities e a Pinecom Services enganaram investidores do varejo em quase 2 milhões de libras ao lhes vender créditos de carbono como investimento.

Você conhece o seu cliente?

Os irmãos Nwikpo não aceitavam apenas investidores do varejo. A Tullett Brown contratou uma empresa chamada Jeff Gillan Graphic Design para produzir uma logomarca. Ao descrever seu trabalho para a Tullett Brown, a empresa é intensa: “O elemento tipográfico ‘conectado’ é derivado da essência do negócio: conectar investidores a oportunidades e espaços vazios a áreas urbanas existentes”.

Jeff entendeu que nós somos uma empresa jovem e moderna, avançando rumo a uma firma de investimento tradicional do centro financeiro de Londres. O design final da nossa logomarca combina perfeitamente tradição com um toque moderno. É exatamente o que estávamos procurando.

Daniel Fox. Tullet Brown. Londres, Reino Unido

Comentário: A Tullet Brown solicitou um design moderno e flexível, adequado a propósitos de construção de marca, que mantivesse um toque do tradicional. A empresa lida com locais degradados para propósitos de investimento, e isso se reflete nos tons orgânicos usados na marca e no material impresso. O elemento tipográfico “conectado” é derivado da essência do negócio: conectar investidores a oportunidades e espaços vazios a áreas urbanas existentes.

(Obviamente, a Jeff Gillan Graphic Design estava apenas fazendo seu trabalho quando desenhou uma logomarca para a Tullett Brown. Mas agora que os diretores da Tullett Brown perderam o direito de exercer esse cargo, pode ser um bom momento para retirar esse design do portfólio.)

A Tullett Brown também enganou o Huffington Post do Reino Unido. Uma série de cinco artigos de Simon Greenspan, “especialista em ouro e prata no corretor de commodities da City, Tullett Brown”, ainda estão (talvez surpreendentemente) disponíveis no Huffington Post UK.

“Especialistas da Tullett Brown consideram que o ano de 2012 promete ser cheio de potencial para os Mercados de Créditos de Carbono”, escreve Greenspan em um de seus artigos.

Só podemos supor que os editores do The Huffington Post tiveram um dia de folga (no sentido de não trabalhar) no dia em que esta frase entrou:

As Reduções Voluntárias de Emissões (VERs, na sigla em inglês), embora sejam idênticas às Reduções Certificadas de Emissões (RCEs) em sua natureza, não estão sujeitas aos termos do Protocolo de Quioto e, portanto, permitem que outras indústrias projetadas para reduzir emissões (mas que não são certificadas pela ONU) produzam e vendam Créditos de Carbono.

Os escritórios de advocacia: Carter-Ruck e Lennons

Para além da logomarca flexível, moderna (com um toque de tradicional) e dos anúncios gratuitos do Huffington Post UK, uma das razões pelas quais a Tullett Brown conseguiu permanecer operando por tanto tempo foi que contratou os escritórios de advocacia Carter-Ruck e Lennons, que ameaçavam processar qualquer jornalista que escrevesse sobre a empresa.

O jornalista free-lance Tony Levene escreve que recebeu uma chamada não solicitada de David Hogg, da Tullett Brown, em julho de 2011. A Tullet Brown queria lhe vender créditos de carbono. Mas quando escreveu sobre a empresa site para investidores lovemoney.com, Levene recebeu uma carta de Lennons afirmando:

“Se você não retirar o artigo do site até 10 horas de amanhã, temos ordens de entrar com uma liminar contra você”.

Levene explica que “o artigo foi devidamente retirado – incluindo todos os rastros em caches dos mecanismos de busca”.

Quando alertou sobre a Tullett Brown no Twitter, Levene recebeu uma carta da Carter-Ruck:

“Se você continuar a publicar material difamatório, avisamos que temos instruções para processá-lo pessoalmente por difamação”.

Levene escreve: “Eu não podia correr esse risco”. E excluiu o tweet.

Em 2012, depois que a Tullett Brown entrou em liquidação, Levene perguntou à Lennons e à Carter-Ruck sobre quais verificações elas teriam feito antes de aceitar a Tullett Brown como cliente. A Lennons respondeu:

“Considerando-se a liquidação da Tullett Brown Limited, não estamos em posição de receber instruções e, portanto, não podemos comentar sobre suas perguntas”.

A Carter-Ruck respondeu:

“O sócio que atendia a Tullett Brown não trabalha mais na Carter-Ruck. Além disso, como o senhor sabe, a Tullett Brown está agora em processo de liquidação. Não temos instruções para responder a suas perguntas”.