Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais

Conflito mapuche no Chile: por um caminho de diálogo em torno a reivindicações históricas

Desde 1881, o Estado chileno vem tentando a “chilenização” dos mapuches, mantendo-os em um estado de colonialismo permanente. Os mapuches têm respondido com uma longa luta de resistência e defesa de sua autodeterminação como povo, bem como a reivindicação de suas terras ancestrais que estão em mãos de empresários agrícolas e florestais.

Recentemente, na madrugada de 4 de janeiro, uma tragédia agravou a situação: um casal de agricultores (Werner Luschinger e Vivianne Mackay) morreu carbonizado em um ataque incendiário a sua casa. Eles moravam na zona mais gelada, onde se celebra a memória da morte do estudante mapuche Matías Catrileo, fato que ocorreu em 3 de janeiro de 2008.

Houve condenação generalizada da morte dos agricultores e a investigação está em pleno andamento. As organizações mapuches em geral também se pronunciaram contra ela, e inclusive a Coordinadora Arauco Malleco (CAM), considerada o grupo mapuche mais ativista, estabeleceu toda a responsabilidade nos fatos.

Mesmo assim, o governo solicitou a aplicação da Lei Antiterrorista e, inclusive, explorou as possibilidades de conseguir instaurar um Estado de Exceção constitucional. Nesse contexto, onze organizações históricas dos mapuches da Araucanía decidiram convocar uma Cúpula Indígena no Cerro Ñielol de Temuco e estenderam o convite ao presidente da República, ao Parlamento, a partidos políticos, a candidatos presidenciais e a organizações da sociedade civil.

As conclusões principais do Ñielol apontam para a instalação, também, no debate nacional, do chamado a um reconhecimento constitucional efetivo dos direitos coletivos e políticos dos indígenas e de um acordo sobre modalidades concretas de autodeterminação e autogoverno mapuche. Por outro lado, a cúpula abre um caminho de diálogo em torno a reivindicações históricas. Entre suas conclusões, exorta-se o Estado a reconhecer as injustiças cometidas com seus povos originais e a efetuar uma reparação histórica correspondente.

A representante do povo mapuche no Chile, Natividad Llanquileo, falou em uma entrevista sobre os problemas que as empresas multinacionais causam a eles e sua relação complexa com o Governo na luta por suas terras. Pode-se acessar a entrevista em http://actualidad.rt.com/programas/entrevista/view/83165-entrevista-natividad-llanquileo-representante-pueblo-mapuche-chile