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Nos últimos anos, o ecologista Mordecai Ogada tem se dedicado a examinar os problemas políticos e os preconceitos que estão na base dos desafios da conservação da vida selvagem, principalmente na África. Essas são questões centrais de seu livro “The Big Conservation Lie”, em coautoria com John Mbaria. No Festival Nature in Focus, em 2017, ele falou sobre como o setor de conservação criou um terreno fértil para preconceitos raciais e de classe em termos de ideias sobre a vida selvagem e as florestas.
Em 13 de fevereiro de 2019, a Suprema Corte da Índia aprovou uma ordem que instrui os governos estaduais a despejar comunidades que habitam florestas ou tiram delas seu sustento, se suas reivindicações pelos territórios não forem reconhecidas pela Lei dos Direitos Florestais (FRA, na sigla em inglês). Porém, depois que os movimentos em defesa das florestas se mobilizaram contra a decisão, em 28 de fevereiro, a Suprema Corte suspendeu as expulsões até a próxima audiência, em 24 de julho de 2019.
A ONG Survival International tem um abaixo-assinado em andamento por uma nova conservação que respeite os direitos dos povos indígenas e promova a diversidade humana e ecológica. O objetivo é chegar a 20.000 assinaturas, e eles precisam da sua ajuda!
O Cacique Babau, da comunidade de Tupinambá Serra do Padeiro, estado da Bahia, sofre repetidas ameaças contra ele e sua família. Diante desta preocupante situação, pessoas e organizações sociais, por meio de uma carta ao Governador Rui Costa, exigem que o Estado garanta a integridade do Cacique e de sua família.
Depois que 11 representantes da etnia Bunong, no Camboja, tiveram negados vistos para participar de um processo de denúncia contra a empresa de plantação Bolloré, na França, a audiência foi finalmente adiada para outubro. Em 2015, os camponeses cambojanos do grupo étnico Bunong processaram o grupo Bolloré por destruir vários hectares de floresta para cultivar borracha, privando-os assim dos seus meios de vida e subsistência.
O Ministério da Agricultura Familiar, Coordenação Territorial e Desenvolvimento, em Misiones, na Argentina, assinou um convênio para desenvolver o cultivo de milho transgênico, de alta produtividade, em Misiones e no Nordeste de Corrientes, com o objetivo de produzir e exportar – desses territórios – mais de um milhão de toneladas para o Brasil. Isso coloca em risco a já ameaçada biodiversidade de sementes nativas e crioulas da província, bem como a soberania alimentar.
Uma investigação recente do BuzzFeed News revela que o World Wide Fund (WWF) financia forças paramilitares cruéis para combater a caça ilegal. Os autores escrevem que “em parques nacionais da Ásia e da África, a prestigiada organização sem fins lucrativos, cujo logotipo tem um panda fofinho, financia, equipa e trabalha diretamente com forças paramilitares acusadas de espancar, torturar, abusar sexualmente e assassinar dezenas de pessoas”.
Um relatório da organização indiana Kalpavriksh documenta iniciativas comunitárias que protegem a biodiversidade enquanto garantem a soberania cultural, de subsistência e alimentar das comunidades, na região de Dooars, no noroeste de Bengala. Desde o domínio colonial, as comunidades indígenas da região enfrentam práticas florestais injustas que levaram à exploração das suas florestas e à usurpação de seus direitos consuetudinários.
Embora tenha sido publicado pela primeira vez em 1994 e atualizado em 2003, esse texto do WRM continua muito relevante. Ele inclui um exame e uma análise amplos sobre questões como áreas selvagens e preservação, a política envolvida nas questões relativas a parques, sociedade e biodiversidade, as alternativas de gestão de parques, entre muitas outras.
O que está acontecendo com a terra e as riquezas naturais no mundo, e com as pessoas que dependem delas? Como as pessoas estão respondendo a essas tendências, ameaças e desafios? Com o objetivo de abordar essas questões, 12 artigos com análises e narrativas poderosas vindas da América Latina, da Ásia e da África dão testemunho das lutas em andamento – e talvez, permanentes – das pessoas por direitos, terras, territórios e meios de subsistência.
(Apenas disponível em inglês). Statement from All India Forum of Forest Movements (AIFFM), 28 February, 2019.