Artigos de boletim

O efeito de concentração de terras causado pelos projetos de conservação raramente é levado em conta na discussão atual sobre a “concentração de terras” global. Na Tanzânia, onde cerca de 40% da área terrestre do país estão sob alguma forma de proteção ambiental, as áreas de conservação têm aumentado constantemente desde os tempos coloniais, levando à perda de terra e acesso por parte de pequenos agricultores, pastores e pescadores.
Recentemente, soube-se que o consórcio Montes del Plata, formado pela empresa papeleira sueco-finlandesa Stora Enso e a chilena Arauco, vendeu 45.000 hectares ao administrador de fundos de investimento estadunidense GMO, em sua maioria com plantações de árvores, situados nos departamentos de Tacuarembó e Rivera (1).
As notícias da Europa e dos Estados Unidos descrevem um cenário de crise econômico-financeira grave, de pouco ou zero crescimento da economia, falta de investimentos e altas taxas de desemprego. Mas, desde que essa crise surgiu, uns cinco anos atrás, também vemos um processo intenso de investimentos em terras e plantações de monoculturas de árvores e outros cultivos na América Latina, na África e na Ásia.
Após a Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano, os membros da União Nacional dos Camponeses, conhecida como UNAC, em Moçambique, e representantes de organizações não governamentais internacionais apelaram aos governos de Japão, Brasil e Moçambique para que interrompam o programa ProSavana.
Estes são momentos fundamentais de votação sobre biocombustíveis nas diversas comissões do Parlamento Europeu, com discussões em curso no Conselho. Mais de 100 organizações (incluindo uma série de coalizões que representam muitos outros grupos) assinaram uma Carta Aberta a quem toma decisões sobre política de biocombustíveis da UE – e de todos os continentes.
Depois do anúncio do presidente do Equador, de que vai realizar uma avaliação para a coleta de verbas do projeto Yasuní – ITT, com um interesse claro na exploração de petróleo, a iniciativa Guardiões do Yasuní convocou uma vigília em defesa da floresta. E declarou: “O Sumak Kawsay (bem viver) é possível sem o petróleo, como demonstrou a grande diversidade de vida no Yasuní, junto com os povos milenares que souberam coexistir com ela. Não há preço que pague a destruição dessa parte do paraíso equatoriano. O país e o mundo já decidiram: queremos o petróleo que está no subsolo do Yasuní”.
No dia 6 de junho, a Comissão Regional dos Atingidos pelo Deserto Verde organizou na cidade de Imbaú no estado de Paraná, o 1º. Seminário sobre a Violação de Direitos Humanos e as plantações industriais de eucaliptos na região de Telêmaco Borba.
O novo “desenvolvimento sustentável” se chama “economia verde”, algo que funcionará a partir de um “crescimento verde”. Principalmente desde a Rio+20, a ONU e governos nacionais tentam deixar transparecer aos povos do mundo um renovado compromisso com uma política responsável em relação ao meio ambiente e ao futuro do planeta. Chamar tal política de “verde”, uma cor associada à natureza, soa bem. Mas, por ser verde, será que esta política se preocupa também com a biodiversidade? Será que nossa “economia verde” do futuro será também uma “economia biodiversa”?
  A WOCAN lançou o Women’s Carbon Standard, ou Padrão de Carvão para as Mulheres, promovendo “lavagem de gênero” em um mecanismo que desde o início foi uma falsa solução, e que prejudica os direitos das mulheres, aumenta sua exposição aos impactos das alterações climáticas e agrava a injustiça.