Começa um ano novo. Mas a mudança no calendário não implica necessariamente uma mudança no acirramento dos processos de dominação e destruição que motivam as lutas e a resistência de numerosos povos e comunidades, bem como das organizações sociais que os acompanham.
Não obstante, é um momento simbólico para fazer uma parada, olhar para trás e para a frente, juntar forças, tremular bandeiras, ter esperanças.
Artigos de boletim
Neste número, analisamos a geração de energia em grande escala a partir da biomassa de madeira. Trata-se de uma nova tendência na qual, principalmente na União Europeia, usa-se mais madeira para alcançar os objetivos de uso da “energia renovável”.
A biomassa é a fonte de energia mais antiga utilizada pelos seres humanos. Encontra-se em abundância em quase todo o planeta e, atualmente, mais de 2 bilhões de pessoas, principalmente nos países do Sul global, dependem dela para cozinhar e obter calor e luz. A energia resultante da combustão de biomassa se chama bioenergia.
Em Doha, Qatar, na 18ª Sessão da Convenção do Clima, as negociações em torno do REDD+ se complicaram. A discordância principal é sobre como verificar a redução de emissões no desmatamento que deveriam resultar de projetos de REDD+. Enquanto países do Norte defendem uma verificação externa, internacional, países do Sul querem fazer esse controle internamente. Sem acordo sobre este ponto, dificilmente os países do Norte disponibilizarão recursos para o REDD+. O que podemos dizer sobre este impasse?
Desde a sua fundação, o WRM trabalha com direitos humanos na hora de denunciar os distintos processos de desmatamento por extração de petróleo, mineração, exploração de madeira, construção de represas e megaemprendimentos, expansão de monocultivos florestais e agronegócio em geral. Em cada um dos casos denunciados, os direitos de comunidades que vivem na floresta ou dela dependem são sistematicamente violados.
O organismo de certificação Mesa Redonda do Dendê Sustentável (RSPO) deixou de agir contra uma empresa que busca o selo da RSPO, que terraplenou terras agrícolas e florestas que pertencem à comunidade indígena de Muara Tae, ajudada por policiais armados trazidos para proteger a empresa por meio de intimidação.
Representantes de organizações de agricultores e produtores, membros do CNCR, bem como outras plataformas nacionais participantes da ROPPA (Rede de Organizações de Agricultores e Produtores da África Ocidental), reuniram-se de 20 a 22 novembro de 2012 em Dacar, no marco do Fórum Internacional “A agricultura familiar é a principal fornecedora de alimento e riqueza na África Ocidental”.
Sombath Somphone, respeitado ativista social vencedor do prêmio internacional Ramon Magsaysay de 2005 por sua liderança comunitária, além de fundador e ex-diretor do Centro de Formação e Desenvolvimento Participativo, está desaparecido desde 15 de dezembro deste ano. Parentes disseram que ele não havia voltado para casa e que não tinham informações sobre seu paradeiro.
Entre 26 e 30 de Novembro de 2012, o 5º Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM) foi realizado em Manila, nas Filipinas. O FSMM é um dos processos temáticos do Fórum Social Mundial (FSM).
Uma resolução do Serviço Nacional de Geologia e Mineração do Chile determinou o fechamento total temporário dos trabalhos de Perfuração e esvaziamento de materiais do projeto mineiro Pascua Lama, localizado na Província do Huasco, na região do Atacama, por terem sido encontradas violações ao regulamento de segurança da mineração: excesso de material fino em suspensão – com alto risco para a saúde das pessoas – derivado dos processos de exploração da mina.
Em 1º de dezembro passado, celebrou-se o 4º Fórum Social Pan-Amazônico, em Cobija, na Amazônia boliviana, tríplice fronteira entre Peru, Brasil e Bolívia. “Sob a proteção da seringa e da castanha, símbolos da Amazônia boliviana”, os povos amazônicos lançaram um chamamento pela unidade para transformar o mundo.
Às 9 da manhã de quarta-feira, 4 de dezembro, membros uniformizados da Polícia Nacional queimaram casas e plantações de colonos e famílias de Bilsa, distrito de Muisne, província de Esmeraldas. A comunidade habita o lugar desde épocas ancestrais e tem se dedicado à coleta de caranguejos e à agroecologia. Trata-se de pessoas que vivem nessas terras há mais de 20 anos, o que lhes dá direito à titulação, conforme o que dita o Código Civil.